Um cientista social alemão, Georg Simmel, muito bacana, apresentou um estudo sobre o "amor". Nele o que se conclui é que a posse gera o amor da posse, ou seja, ter algo gera um sentimento de cuidado que se aproxima a ideia de amor.
Com base nessa ideia, que também está presente em muitos outros sentidos de textos científicos diversos, comecei a me perguntar se tal sentimento não poderia melhorar as cidades. O que me parece hoje é que as cidades não "são" de ninguém. Parece que ninguém tem amor porque não acha que a cidade pertence a si.
Marc Auge criou o conceito de "não-lugar" como uma forma de expressar a ideia oposta ao que Simmel apresentou: um desapego ou sentimento de vazio em lugares que não geram afeto ou relacionamentos positivos e duradouros entre as pessoas.
Esses não-lugares estão se tornando uma realidade virtual. O Facebook é um não-lugar que gera exposição sem afeto. Existe um trânsito muito grande de informações na internet. Mas me pergunto: Será mesmo que hoje é tão difícil escrever textos com reflexão sobre as vidas das pessoas que estão lendo o que escrevemos sobre o mundo em que vivemos?
Cidades, não-lugares, internet... Onde podemos refletir sobre a vida que queremos levando em conta simplesmente uma ideia de respeito que preze pela dignidade e não seja apenas algo hipócrita?
Preciso ler mais Edgar Morin...
(Originalmente publicado no facebook em 19 de março de 2014)
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