Vontade de dizer que me identifico muito com as ideias do materialismo histórico para explicar minha existência na terra. Vejo isso no problema da "reificação" onde o mundo transformado pelo homem se torna coisa sem história. Ter história e saber como existiu, como se transformou e porque se transformou. É o problema da "mente descontínua" que Richard Dawkins fala. O indivíduo perde a noção de tempo. Ansioso pela maravilha do mundo apenas vê e se deleita em seus sentidos com tantas cores, sabores, texturas e outras sensações...
Acredito que o "objeto reificado" mais maravilhoso da humanidade é a "urbanidade". A cidade encanta, seduz e maravilha qualquer um e a todos. Ela é voraz e não tem escapatória. Qualquer um que à visite fica marcado. Muitos se reclamam do mundo aquecendo, mundo cruel, mundo explorador, mas a "cidade grande" coloca no anonimato todos os vilões. Mas somos todos culpados. Culpados de não ter escolha de viver em um planeta limitado.
Viver na terra para quê? Pra viver! Viver é uma possibilidade incrível. Ser inteligente e poder transformar o mundo é algo mais incrível e sedutor. Mas sendo um materialista literal, partindo para a Física, viver é acelerar. A matéria que se agita quer acelerar até se esgotar.
Sabe porque podem existir outros universos? Porque Hubble descobriu que estrelas estavam mudando de cor entre cores com comprimentos de ondas mais longos, o que quer dizer que o universo está se expandindo aceleradamente. Mas de onde vem essa energia? Tem que ser de outros universos... Os "multiversos" são a chave para "Deus".
Já fui um homem de muita fé institucional. Hoje eu tenho fé só porque sei que o conceito estúpido da onipotência pode me dizer que "Deus" existe em algum lugar do universo. Não sei o que ele é, como ele é, nem se serve pra muita coisa, mas existe só pelo fato de eu não poder negar ele, porque não posso ver tudo e dizer o que é cada coisa e então concluir que depois de inventariar o universo, ou todos eles, "Deus" não está em canto nenhum!
Monday, March 24, 2014
Reflexão sobre um "lugar" sustentável!
Um cientista social alemão, Georg Simmel, muito bacana, apresentou um estudo sobre o "amor". Nele o que se conclui é que a posse gera o amor da posse, ou seja, ter algo gera um sentimento de cuidado que se aproxima a ideia de amor.
Com base nessa ideia, que também está presente em muitos outros sentidos de textos científicos diversos, comecei a me perguntar se tal sentimento não poderia melhorar as cidades. O que me parece hoje é que as cidades não "são" de ninguém. Parece que ninguém tem amor porque não acha que a cidade pertence a si.
Marc Auge criou o conceito de "não-lugar" como uma forma de expressar a ideia oposta ao que Simmel apresentou: um desapego ou sentimento de vazio em lugares que não geram afeto ou relacionamentos positivos e duradouros entre as pessoas.
Esses não-lugares estão se tornando uma realidade virtual. O Facebook é um não-lugar que gera exposição sem afeto. Existe um trânsito muito grande de informações na internet. Mas me pergunto: Será mesmo que hoje é tão difícil escrever textos com reflexão sobre as vidas das pessoas que estão lendo o que escrevemos sobre o mundo em que vivemos?
Cidades, não-lugares, internet... Onde podemos refletir sobre a vida que queremos levando em conta simplesmente uma ideia de respeito que preze pela dignidade e não seja apenas algo hipócrita?
Preciso ler mais Edgar Morin...
(Originalmente publicado no facebook em 19 de março de 2014)
Com base nessa ideia, que também está presente em muitos outros sentidos de textos científicos diversos, comecei a me perguntar se tal sentimento não poderia melhorar as cidades. O que me parece hoje é que as cidades não "são" de ninguém. Parece que ninguém tem amor porque não acha que a cidade pertence a si.
Marc Auge criou o conceito de "não-lugar" como uma forma de expressar a ideia oposta ao que Simmel apresentou: um desapego ou sentimento de vazio em lugares que não geram afeto ou relacionamentos positivos e duradouros entre as pessoas.
Esses não-lugares estão se tornando uma realidade virtual. O Facebook é um não-lugar que gera exposição sem afeto. Existe um trânsito muito grande de informações na internet. Mas me pergunto: Será mesmo que hoje é tão difícil escrever textos com reflexão sobre as vidas das pessoas que estão lendo o que escrevemos sobre o mundo em que vivemos?
Cidades, não-lugares, internet... Onde podemos refletir sobre a vida que queremos levando em conta simplesmente uma ideia de respeito que preze pela dignidade e não seja apenas algo hipócrita?
Preciso ler mais Edgar Morin...
(Originalmente publicado no facebook em 19 de março de 2014)
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